DANIELA ESPINELLI
MÔNICA RIBEIRO E RIBEIRO
Fitas multicoloridas, brilhos, batuques e coreografias insinuantes foram os principais elementos da apresentação da última quarta-feira (12) do “Cacuriá da Dona Teté”, do Ponto de Cultura Laborarte (MA).
As saias giravam com suas rendas e se harmonizavam com os fitilhos das calças dos homens. As meninas dançavam com um sorriso no rosto e sem demonstrar cansaço.
Dona Teté, de lá de cima do palco, tocava o tambor do Divino e entoava canções observando a dança sensual que acontecia no chão. O público estava em polvorosa com os “roças-roças” dos dançarinos.
Acabada a apresentação, alguns dos “filhos” levaram a mãe para se sentar e, então, Dona Teté contou um pouco da sua história com o cacuriá.
Segundo ela, uma mulher da comunidade --cansada só da Quadrilha e do Boi Bumbá-- falou para Seu Laudo inventar uma dança nova. Seu Laudo, então, passou um tempo no interior do Maranhão e voltou com o cacuriá, mas não explicou o significado do nome.
A união dos tambores do Divino e da dança em formato de roda fizeram o cacuriá. No entanto, em seu início, na década de 1970, tudo era mais recatado. “Seu Laudo dizia que eu tinha esquentado o saco do cacuriá”, diz Almerice Santos, mais conhecida como Dona Teté.
Na época, as moças usavam um vestido mais comportado, mas, com o passar dos anos, puderam deixar o colo, a barriga e as pernas à vista. Passados mais de 30 anos, Dona Teté ainda perpetua a invenção de Seu Laudo.